Mais informações
- Endereço: 17 Rue Beautreillis, 4º arrondissement - Paris, França
- Como chegar: Estação de Metro Saint-Paul (Linha 1)
Jim Morrison, vocalista do The Doors, viveu neste apartamento da Rue Beautreillis, número 17, em Paris, por poucos meses no início da década de 1970. Poucos meses porque, infelizmente, foi também aqui que seu corpo foi encontrado na banheira durante a madrugada do dia 3 de julho de 1971.
O edifício, apesar de ter uma fachada bastante charmosa, não tem qualquer placa ou destaque. Só quem conhece a história é que sabe que Jim Morrison viveu ali – e estava encantado com o bairro.
Morrison tinha 27 anos e havia chegado a Paris em março daquele ano acompanhado de Pamela Courson, sua namorada. Trazia uma mala com cadernos e livros, e a intenção de deixar para trás o que havia se tornado em Los Angeles para encontrar nas ruas de Paris inspiração para sua poesia.

Antes do apartamento: o quarto de Oscar Wilde e o bordel de pelúcia vermelha
Alguns meses de Jim Morrison em Paris foram passados em hotéis, como o L’Hôtel, por exemplo – um lugar de história literária e musical densa. Foi aqui que Oscar Wilde morreu em 1900, no quarto 16. Morrison ficou neste mesmo quarto. A escolha não foi acidental. Ele conhecia a história e ela tinha peso para ele.
Ele também esteve hospedado no hotel George V – um dos endereços mais luxuosos de Paris, com uma formalidade que ele descreveu com ironia como um “bordel de pelúcia vermelha”. Era exatamente o tipo de lugar que ele precisava deixar para trás. E foi o que fez.
Em junho de 1971, Morrison e Pamela alugaram o apartamento da Rue Beautreillis.
O apartamento de Jim Morrison na Rue Beautreillis

É no terceiro andar. A janela da esquerda, vista da rua. Morrison descreveu o apartamento como cozy – aconchegante, no sentido mais literário da palavra.
Não havia nada que lembrasse Los Angeles. O Marais é um antigo bairro judeu em que ele podia fazer tudo a pé: seja caminhar para comprar o que precisava, seja para sentar num jardim público para pensar e escrever. Para alguém que havia passado anos dentro de carros em Los Angeles, isso certamente parecia uma libertação.
Ao lado de seu apartamento, na Rue Beautreillis, número 25, por exemplo, gostava de comprar vinho branco numa adega chamada Vin des Pyrénées – que existe até hoje, agora transformada em restaurante, mas com a fachada e o nome preservados.
Há registros de que ele frequentava a Place des Vosges, a praça mais antiga de Paris. Sentava num dos bancos e escrevia. É provável que parte dos poemas do seu caderno Paris Journal tenham sido esboçados naquela praça.
2 de julho de 1971: a última refeição de Jim Morrison em Paris
No dia 2 de julho, Morrison fez a sua última refeição num café da Rue Saint-Antoine, perto do apartamento. Comeu frango agridoce, bebeu cerveja. Estava com Pamela e com o amigo Alan Ronay.
Na madrugada, Pamela Courson contou que Morrison acordou com dificuldade para respirar e foi tomar um banho. Quando ela acordou, o encontrou na banheira. O boletim médico registrou insuficiência cardíaca. Não houve autópsia. Jim Morrison foi enterrado dois dias depois, sem investigação formal.
As circunstâncias exatas nunca foram completamente esclarecidas. Há versões que colocam em dúvida o relato de Pamela – incluindo a de Marianne Faithfull, que afirmou anos depois que Morrison teria sofrido uma overdose de heroína numa discoteca e que o corpo teria sido levado de volta ao apartamento para evitar o escândalo. A versão nunca foi confirmada nem descartada.
Como é visitar o apartamento de Jim Morrison em Paris
O apartamento continua sendo propriedade privada, utilizado para fins residenciais e comerciais. Não é possível visitá-lo por dentro.
O que chama a atenção, quando você está diante da fachada, é o que não está lá: nenhuma placa, nenhuma marcação oficial, nenhuma indicação de que algo aconteceu aqui.
Pode-se pensar que essa ausência diz algo sobre a Paris de Jim Morrison. Ele buscava algum anonimato quando veio para cá. De certa forma, o lugar ainda oferece isso.
Experimente chegar pela manhã, bem cedo, quando a Rue Beautreillis está vazia. Observe a fachada e a janela do terceiro andar. Se quiser, leve um dos livros de poesia de Morrison, encoste na fachada e leia um pouco. É provável que você se emocione.
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